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Perseguida – Capítulo 1

by on 01/11/2012

         O sol já estava se pondo, as sombras avançavam pelas ruas havaianas com seus formatos retorcidos. A brisa marítima acaricia o pálido rosto de Sarah, o clima ameno aconchega os moradores em casa. As ruas estavam desertas.

         Já estava cansada de caminhas, mas aquela parte do caminho era assustadora, pois a estrada ficava à beira de um canavial escuro. Sarah tira seu facão enferrujado da bolsa e com alguns golpes secos, corta e descasca uma cana. Agora continuava seu caminho, chupando cana e assoviando uma melodia melancólica das cantigas antigas do povo nórdico, que outrora coabitava na região:

“Amada, amada Galandriel, o ar está pesado,

No peito, a solidão, a falta do seu olhar.

Me perseguem as almas dos mortos pelo machado

Que carrego para proteger-te além-mar

 

Seus olhos cor avelã esverdeada,

É motivo para me fazer continuar

Me perseguem as almas dos mortos pela espada

Que carrego para proteger-te além-mar

 

Olhe para o céu opaco, minha amada

Ó Odin, me permita vê-la mais uma vez

Para dar-lhe uma torada, dar-lhe uma torada”

 

          Acabando a velha cantiga, parou por um momento e respirou, continuou a caminhada. Ouviu sons de passos se intensificando gradativamente, olhou para trás e percebeu uma estranha figura aproximando-se, apressou o passo, mas o vulto continuava a se aproximar, rapidamente Sarah pula para dentro do canavial para despistá-lo. Correu canavial adentro até perdê-lo de vista.

        Sarah suava frio, a sensação de ser perseguida era insuportável para ela e estar sozinha naquele canavial era agonizante. Sentiu o vento gelado em seus ombros, ao olhar para trás viu quem a perseguia: era um homem austero, pálido, seus olhos eram claros e sua boca muito fina, assim como o queixo, o que dava um aspecto levemente afeminado. Mas não deixava de ser assustador, seus caninos avantajados traziam consigo a morte.

         Assustada, Sarah não conseguiu dirigir uma só palavra ao homem. Suas mãos estavam trêmulas e mal conseguia ficar em pé. Engolindo o medo, perguntou:

-O que você quer?

-Perseguida… Te persegui apenas para deixar um recado…

-Recado?

-Não tenha medo, apenas venha, vou te mostrar uma coisa

         O homem, que a olhava nos olhos o tempo todo, estendeu a mão pálida à Sarah. Ela não sabia o que fazer, pois ao mesmo tempo que estava apavorada, uma certa confiança estava surgindo nela.

 

From → Perseguida

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